06

Mar

2009

Grand Theft Auto IV - Análise Versão para impressão Enviar por E-mail
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Na história dos vídeojogos, poucos títulos se podem orgulhar de terem suscitado tantas expectativas como a última versão de Grand Theft Auto. Quase um ano após o seu lançamento, continua a ser uma das obras mais relevantes no mercado e nós, aqui no Play, não poderíamos ficar sem partilhar a nossa opinião.

GTA IV regressa a Liberty City, mas não aquela que nos habituámos a palmilhar em GTA III e em Liberty City Stories. Desta vez, os criativos da Rockstar meteram mãos à obra e redesenharam totalmente a cidade, baseando-se nos bairros mais famosos de Nova Iorque. Nela, podemos encontrar partes de Manhattan (Algonquin), Brooklin (Broker), Queens (Dukes), Bronx (Bohan) e Nova Jersey (Alderney). Desenganem-se os que pensam que é uma cópia fidedigna da Grande Maçã. Não. Nova Iorque serviu apenas de inspiração para criar uma gigantesca cidade repleta de pormenores e variações que não só assentam como uma luva no universo GTA, mas também ajudam a construir esse universo. Basta dar um passeio por Star Junction - baseado em Times Square - para perceber que houve um trabalho irrepreensível para conceber uma cidade única, credível, viva e divertida.
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A cidade está melhor do que nunca - reformulando, está muito melhor do que nunca. É por si só um feito extraordinário e ímpar no mundo dos jogos de vídeo. As dimensões da nova Liberty City estão entre o mapa de Vice City e o de San Andreas, a sua área não tem espaços desaproveitados e apresenta-se com muito, muito detalhe. Podemos facilmente perder horas a fio, apenas e só, a observar os incontáveis pormenores. Alguns deles até podem passar despercebidos à primeira vista, mas a sua ausência iria ser notada. Desde os cartazes publicitários a alguns edifícios, passando pelos pedestres e um sem número de variações no seu comportamento, pelos efeitos climatéricos e de luminosidade, até às lindas paisagens e todas as outras pequenas coisas, é notável a enorme variedade e coesão nunca antes vistas num título GTA, nem em nenhum outro jogo.

A linda Liberty City bastava para colocar este jogo num dos títulos mais interessantes da história do entretenimento electrónico, mas ainda há mais, muito mais.
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Desta vez somos Niko Bellic - um ex-militar de leste que vem para Liberty City em busca do sonho americano que o primo Roman diz viver nos e-mails que envia para a sua terra natal. Assim que chega, é confrontado com uma realidade completamente diferente, afinal, não só a mansão que o primo diz ter é apenas um apartamento rasca cheio de baratas, como os carros de luxo não passam de táxis de baixo orçamento. Além disso, Roman está enterrado em dívidas de jogo e deve dinheiro aos mais deploráveis agiotas de Liberty City. Niko terá de utilizar as suas excelentes capacidades de militar para compensar os calotes do primo.
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Niko é, sem dúvida, a personagem principal com mais profundidade de todos os GTAs. À primeira vista é um homem rude pela vida que levou até então, mas com o decorrer da história percebemos que tem um sentido de humor implacável com tiradas de mestre. Aliás, todo este jogo é recheado de diálogos muito bem escritos e personagens inesquecíveis. Por exemplo, o Brucie é o eterno machão viciado em esteróides e nutre por Niko uma paixão que ele próprio tenta combater mas que não consegue esconder. Little Jacob é um "rasta" muito genuíno com um sotaque tal, que não dispensa umas legendas. Roman, com a sua boa disposição e ingenuidade, não evita que sintamos uma grande empatia com ele. A interpretação imaculada dos actores que deram a voz e os movimentos foi essencial na criação e credibilidade de todas as personagens. Todos os actores, sem excepção, fizeram um trabalho notável.
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Existe no GTA IV um grande enfoque na vida social de Niko. É em torno deste factor que gira toda história, e obterá grandes vantagens o jogador que quiser aprofundar as relações de amizade ou as relações amorosas com as várias personagens que o jogo apresenta. Por exemplo, podemos ter armas muito mais baratas se conseguirmos ser amigos de Little Jacob. Para isso, é necessário convidar as personagens para várias actividades, tais como jogar dardos ou bowling, ver espectáculos, ir ao clube de strip, entre muitas outras. Não, na verdade é muito mais que um Sims. São actividades que estão bastante bem enquadradas no espírito GTA, e passar ao lado disso é perder uma parte muito importante e divertida do jogo. Por exemplo, é impagável ver o Niko sair de um bar acompanhado de um amigo e de uma bebedeira de cair para o chão (literalmente), pegar num carro, andar aos esses pela estrada, bater em tudo o que é candeeiro e fugir da polícia até ficar sóbrio.
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A condução de veículos é uma parte fundamental em qualquer GTA. Neste jogo, a condução é um pouco diferente da dos anteriores. Nota-se muito mais o efeito do peso nos carros, parecendo por vezes que o carro anda sobre molas. Mas é apenas a sensação inicial. Depois de alguma habituação, a condução de qualquer veículo é muito satisfatória - a melhor de todos os GTAs, na minha opinião. Existe uma grande variedade de veículos, a maior até então, mas ficaram de fora os aviões - compreensível por se tratar apenas de uma cidade - contudo, poderia ter sido incluído o adorável hidroavião Dodo de outros títulos. Foram também excluídas as bicicletas e desta vez não podemos conduzir os comboios como em San Andreas - uma pena para todos aqueles com pretensões a maquinista. A forma de roubar os veículos estacionados está bastante mais real que nos GTAs anteriores. Niko olha para os lados, parte a janela com o cotovelo ou o pé, podendo accionar o alarme do carro, entra e efectua a ligação directa. Durante todo este tempo, na pele de Niko, podemos ou não ser detectados por algum agente da autoridade que imediatamente começará a captura obrigando-nos a fugir.
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A actuação da polícia quando praticamos algum crime foi alterada neste GTA. Agora, juntamente com as estrelas, surge um círculo no radar tanto maior quanto mais grave for o crime. Esse círculo identifica a área na qual somos procurados. A forma de escaparmos é conseguirmos sair dessa área sem sermos vistos. Cada vez que formos detectados pela polícia, o centro do círculo é ajustado à nossa posição e tudo recomeça. No radar aparece também a posição de todos os polícias nas proximidades. Parece complicado, mas desta vez é muito mais fácil evadir-nos que nos jogos anteriores, bastando para isso alguma velocidade e perícia na condução.
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Não foi só o comportamento da polícia que foi remodelado. Todo o sistema de combate foi reconstruído - factor bastante criticável nos anteriores títulos de GTA. O sistema de lock-on foi amplamente melhorado e temos agora a hipótese de nos refugiarmos atrás de qualquer objecto. Esse melhoramento veio alterar completamente a forma de combater. Os tiroteios tornaram-se lentos e mais tácticos, mas a meu ver, muito mais satisfatórios. A jogabilidade em combate, não sendo ainda perfeita, é agora muito boa, existindo apenas situações muito pontuais em que a câmara não ajuda, mas que supera largamente os antigos GTAs. Outra grande inovação é o GPS. De forma muito simples, temos agora os caminhos para os objectivos indicados no radar por uma linha de cor. Essa é a rota legal, não sendo obrigatoriamente a mais rápida ou melhor. Se por um lado simplifica a vida do jogador, pois não tem de recorrer tanto ao mapa do jogo, por outro é uma forma de deixar o jogador desleixado e não o obriga a decorar a cidade. Outra introdução no jogo foi o telemóvel. É incrível como uma simples ideia se torna inovadora no controlo da vida social de Niko e, até, no controlo do online e das missões do jogo.
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Então e as missões? Perguntam vocês. Claro, não há GTA sem missões e, neste jogo, elas existem para todos os gostos. A história tem imensas missões recheadas de um requintado humor (bem, requintado não seria bem o termo a utilizar), violência e perseguições espectaculares a lembrar os melhores (ou piores) filmes do Dirty Harry. Mais uma grande adição ao jogo foi a possibilidade de recomeçar imediatamente a missão em caso de insucesso - o que baixa drasticamente os níveis de frustração em determinadas missões. Ao contrário dos outros jogos da saga, este tem escolhas que o jogador terá de fazer que influenciarão a história global e o seu final - o que dá uma sensação menos linear ao jogo. Além das missões de história, como já é habitual temos muitas missões secundárias. No GTA IV temos missões de assassinatos, de roubo de carros para Brucie e para Stevie, de entrega de pacotes com substâncias ilícitas para Little Jacob, Missões de táxi para Roman, missões de vigilância e mais procurados para a polícia, além de outras missões para personagens que vão aparecendo na cidade. Existem também os pombos, ou ratazanas voadoras como são chamados no jogo, que são nada mais nada menos do que os pacotes escondidos a que os GTAs nos habituaram. Falta ainda fazer referência às várias corridas de automóvel. Depois da história do jogo concluída, facilmente se dobra ou triplica o tempo de jogo ao concluir tudo o resto que há para fazer. Infelizmente ficaram de fora as missões de ambulância, bombeiros e as missões de entrega de pizza ou jornais dos anteriores títulos. Mas não se pode ter tudo, não é?
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Em termos técnicos e de apresentação, GTA IV é um feito grandioso e mesmo histórico. A escolha artística do grafísmo - a lembrar aguarela, meio desfocada ao longe - é adorada por muitos, criticada por outros, mas não deixa de ser única e notável. Existem de facto alguns pormenores gráficos menos conseguidos, como sombras que tremem ou um baixo frame rate em algumas situações, mas dentro da grandiosidade do jogo todas estas questões são facilmente desculpáveis. As cenas entre as missões (cutscenes) estão muito boas e as personagens são bastante expressivas. A inclusão do sistema Euphoria no jogo veio dar uma profundidade enorme aos movimentos e reacções dos personagens e dos pedestres. Coisas simples - como ser atropelado por um veículo - tomam proporções reais nunca antes conseguidas num GTA. As personagens protegem-se, coxeiam, fogem assustadas e até se abrigam da chuva de uma forma extraordinariamente credível. Quanto ao som, é irrepreensível, proporcionando-nos a sensação de estarmos mesmo numa cidade cheia de vida, já para não falar das excelentes estações de rádio e de uma banda sonora que só o GTA consegue bater.

Nem estaria a falar da mais infame série dos vídeojogos se não tocasse neste assunto. O Grand Theft Auto IV, tal como todos os anteriores não é um jogo para crianças. É violento, tem conteúdos desaconselháveis e incompreensíveis para os mais pequenos. Contudo, neste jogo, ao contrário do esperado pelo imenso detalhe gráfico, conseguiu-se aligeirar essa questão. A forma como Niko reage às alarvidades que faz, juntamente com o grafismo menos explícito nas cenas de violência, tornam este GTA o menos violento até hoje. Existiu de facto, na Rockstar, uma vontade de, apesar da reconhecida violência, fazer deste um ponto secundário no jogo - o que resultou muito bem.
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Como se tudo isto não bastasse e esta análise não estivesse já grande o suficiente, ainda tenho de referir o online. E que grande online! Iria precisar de outras tantas linhas para o descrever, por isso vou resumir. Tem um número bastante significativo de modos de jogo até 16 jogadores em simultâneo, que fazem as delícias dos maluquinhos pelo jogo em rede. Além dos já habituais Todos Contra Todos e Zonas - ambos em equipa ou individual - destacam-se os Cops n’Crooks, onde uma equipa é da polícia e a outra é constituída pelos criminosos nos quais é escolhido o chefe do bando ao acaso. O objectivo dos bandidos é levar o chefe são e salvo até um determinado ponto no mapa, enquanto o objectivo dos polícias é eliminar esse chefe. Também em destaque encontra-se o Mafya Work - individual ou em equipa - onde são ordenadas tarefas como roubar carros ou eliminar alvos. Em todos os jogos, é vencedor quem mais dinheiro tiver acumulado no final.

Faço ainda referência aos 3 modos de jogo cooperativo e às excelentes corridas online onde se pode competir com todos os veículos existentes no jogo, até, por exemplo, carros dos bombeiros. Todos os modos existentes ainda são amplamente personalizáveis. A nota menos positiva do jogo vai para o acesso ao online. Depois de ver jogos a funcionar na perfeição neste aspecto como o Burnout Paradise, o Warhawk ou o COD 4, é de certa forma decepcionante o modo como foram criados os acessos ao online. Muitas vezes em Party Games, alguns jogadores perdem-se quando se entra num jogo, e é frequente este cair e ver novamente um ecrã de loading para o offline e depois outro para o online. Enfim, vindo de uma produtora que quase tirou os loadings dos seus jogos, não se compreende como não os minimizaram também no online.
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Depois de tudo o que descrevi, deves estar à espera que a longevidade seja... muito longa. Além de tudo o que há para fazer na campanha ofline, que é muitíssimo, o online pode multiplicar todas as horas já gastas. Este jogo bem jogado dá para meses a fio e é um dos raros casos que valem mais do que custam.

Podes até nem gostar do género, mas acredita que estamos perante uma peça de entretenimento como nunca antes foi feito nesta indústria. GTA IV está à altura de todas as expectativas e estabelece um novo padrão nos videojogos. É belo, gigante e muito, muito divertido, estando recheado de textos e personagens memoráveis. É uma verdadeira obra de arte que não faz esquecer Vice City, porque este é inesquecível, mas vai muito, muito mais longe. A Rockstar está de parabéns, conseguiu, na minha opinião, fazer o melhor videojogo de sempre.

Jogabilidade: 9
Desempenho técnico: 9
Entretenimento: 10
Longevidade: 10

Apreciação global: 10


Acessos: 1332

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