17

Mar

2009

Mirror's Edge - Análise Versão para impressão Enviar por E-mail
4.4/5 (7 votos)

Concentrem-se e preparem os vossos reflexos, pois podem ter a certeza de que vão precisar deles assim que vestirem a pele de Faith e tentarem atravessar o universo de Mirror's Edge.


Em Mirror's Edge vestimos a pele de Faith, uma corredora. O nosso trabalho consiste em entregar informações demasiado importantes para serem enviadas através dos meios tradicionais, uma vez que esses são controlados pelo mesmo governo que impôs um regime totalitário na cidade. No entanto, assim que começamos a percorrer os telhados dos edifícios desta cidade utópica, começamos também a perceber que se está a passar algo de estranho. Primeiro começamos por testemunhar o comportamento extremamente agressivo das forças policiais, mas rapidamente nos deparamos com uma situação bastante mais grave. Kate - a irmã de Faith - vê-se envolvida no plano traçado para eliminar os corredores da cidade ao ser injustamente acusada de assassinar um importante membro político. Contudo, apesar de todos estes elementos, devo avisar que este não é um jogo que se destaque pela sua história - a qual é bastante directa. A mesma é suficientemente interessante como fio condutor das acções de Faith mas não vai muito além disso. Quanto ao final da história, destaca-se a "promessa" de uma sequela. Trata-se de um "pormenor" importante que não foi mal resolvido, garantindo assim que os jogadores não acabam o jogo frustrados pelo facto.

Uma das primeiras coisas que nos impressionam em Mirror's Edge é o facto deste jogo de plataformas ser jogado através dos olhos de Faith, ou seja em visão de primeira pessoa. Este pormenor é bastante interessante na medida em que não só nos permite compreender a forma como Faith observa o seu mundo, como também torna a experiência extremamente envolvente - ao ponto de nos levar mesmo a baixar quando a personagem atravessa uma área mais apertada. Apesar de parecer que não temos ao nosso dispor um enorme leque de movimentos, eles até podem ser considerados numerosos se tivermos em conta que são controlados através de um esquema de três botões, sendo suficientes para permitir uma movimentação fluida através da maioria dos obstáculos. A Faith é capaz de correr ao longo das paredes, realizar longos saltos e amortecer a queda nos mesmos, baloiçar-se em postes, deslizar pelo chão e realizar muitos outros movimentos semelhantes aos dos praticantes de Parkour.

A cidade encontra-se desenhada de forma a permitir diversos caminhos para um mesmo objectivo, no entanto as coisas não são tão livres como parecem, uma vez que apesar de existirem múltiplas rotas estas são bastante limitadas. Os programadores aproveitaram para transformar alguns níveis em verdadeiros puzzles - os quais, apesar de serem um componente interessante, acabam por retirar a sensação de velocidade e liberdade ao jogo. O mesmo acontece com alguns momentos que passamos no interior de elevadores a ler painéis electrónicos enquanto o jogo carrega (pelo menos aparentemente, uma vez que não surge nenhuma indicação a respeito no ecrã).

Os puzzles que o jogo nos apresenta podem ser facilmente resolvidos através de uma capacidade especial da nossa personagem chamada "Runnervision". Esta capacidade acentua a nossa visão, destacando a vermelho os vários elementos do cenário com que temos de interagir para progredir nas nossas missões. A "Runnervision" pode ser facilmente desactivada nos menus do jogo, uma opção que certamente agradará a muitos jogadores que não gostam de ver o seu trabalho facilitado.

Durante os vários encontros com as forças policias é possível usar as suas próprias armas contra eles, sendo que, para tal, apenas é necessário desarmar um dos vários polícias. Apesar de tudo somos incentivados a evitar confrontos directos com os elementos da policia e a não usar armas letais (ao ponto de recebermos um troféu por isso mesmo) - o que, provavelmente, até será uma boa opção uma vez que as mecânicas de combate, apesar de interessantes, aparentam necessitar de mais algum trabalho.

Tecnicamente, a qualidade gráfica oscila entre momentos que nos permitem visualizar as capacidades gráficas da consola e outros momentos - menos bons - onde se notam alguns problemas de "anti-alising". Já a banda sonora enquadra-se perfeitamente com a experiência que o jogo nos oferece, e o tratamento das vozes parece adequado.

O ponto mais fraco de Mirror's Edge é, sem sombra de dúvida, a sua longevidade. O modo de história deverá levar cerca de sete horas a ultrapassar (pelo menos da primeira vez, depois pode ser facilmente ultrapassado em muito menos tempo) e a experiência online fornecida consiste somente em tentar bater os tempos de outros jogadores em determinados capítulos ou secções do cenário. Contudo, é importante destacar que é neste modo que o jogo desafia mais os jogadores uma vez que um pequeno erro no nosso percurso é capaz de arruinar por completo todas as nossas possibilidades de ganhar alguns pontos.

Conclusão:

Mirror's Edge representa um brilhante conjunto de ideias que não foram levadas ao seu máximo potencial. A cidade devia ser mais aberta (talvez ao estilo de Burnout), as sequências de combate necessitam de mais algum trabalho e existem um ou dois bugs relativamente às movimentações da nossa personagem que necessitam de ser resolvidos. É também verdade que este jogo "encrava" demasiadas vezes para um jogo que pretende explorar a sensação de velocidade. Contudo, Mirror's Edge continua a ser uma experiência refrescante devido às suas várias inovações, tratamento gráfico e ambiente sonoro, pelo que não podemos deixar de o recomendar e esperar por uma sequela onde todos os seus problemas tenham sido resolvidos.

Pontuação

Jogabilidade: 7

Desempenho técnico: 7

Entretenimento: 9
Longevidade: 6

 

Apreciação global: 7

Acessos: 1619

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