19

Mar

2009

Killzone 2 - Análise Versão para impressão Enviar por E-mail
5.0/5 (1 voto)
A Guerrilla Games prometeu com Killzone 2 oferecer uma experiência de guerra poderosa, imersiva e cinematográfica a um nível nunca antes visto numa consola. Depois do vídeo apresentado em 2005 na E3 como sendo a marca técnica a alcançar, muitas expectativas foram criadas. Agora, com o lançamento do jogo, podemos avaliar se esse objectivo foi, ou não, cumprido.

Killzone 2 é um First Person Shooter que dá sequência aos acontecimentos de Killzone para a PS2 e Killzone Liberation para a PSP. Desta vez a batalha ocorre no planeta Helghan dois anos após o ataque dos Helghast a Vekta. A história aborda a retaliação da Interplanetary Strategic Alliance (ISA) através da invasão do planeta na tentativa de capturar Scolar Visari - o líder dos Helgast. A personagem principal é o Sargento Tomas “Sev” Sevchenko, um veterano das forças especiais Alpha Team - unidade que é enviada para além das linhas inimigas. No início vão conseguir penetrar em território desconhecido, mas depressa vão descobrir que a invasão não será tão fácil como foi planeada.
kz2-22
Assim que começamos a jogar, percebemos imediatamente que todas as expectativas criadas pela Guerrilla Games foram alcançadas, para não dizer superadas. Do ponto de vista técnico, Killzone 2 é impressionante, não só pela superior qualidade gráfica e sonora, mas também pelo ambiente que consegue criar. É grande a sensação de estarmos presentes numa enorme batalha onde companheiros e inimigos combatem ferozmente. Explosões que ocorrem por todo o lado, vagas de inimigos e emboscadas constantes fazem-nos sentir que somos uma pequena parte de uma grande guerra que decorre à nossa frente. E quem pensar que o jogo começa com muita intensidade e que pouco mais se verá além disso, depressa irá perceber que o ritmo aumentará gradualmente, culminando com níveis de fazer cair o queixo mais para o final da campanha.
kz2-20
O grafismo é muito pormenorizado e cuidado, evidenciando uma vertente cinematográfica muito vincada onde sobressaem excelentes efeitos de luz e de partículas. Centenas de coisas acontecem ao mesmo tempo sem que a haja aparentes variações na taxa de fotogramas apresentados. O ambiente é extraordinário e tem pormenores excelentes que quase não são perceptíveis, tal é a intensidade do jogo quando a matança começa realmente. O som acompanha a qualidade da imagem e ajuda a criar um ambiente de guerra credível. É curioso como a Guerrilla conseguiu dar um toque especial ao jogo... não sei bem como explicar mas, tal como no cinema, é um estilo muito próprio das produções europeias... quase alternativo!

O maior problema técnico que encontrei foi as pausas que acontecem durante o carregamento de uma nova zona. De facto, isso apenas acontece em áreas de transição e nunca em combate - o que não interfere minimamente com a jogabilidade. Refira-se contudo que, de início, quando as ditas pausas se verificam somos levados a acreditar que a consola bloqueou, dada a forma como ocorrem. No meio de tanta coisa polida ao máximo, essas pausas - apesar de serem um mero pormenor - sobressaem pela negativa.
kz2-6
A inteligência artificial foi um dos factores mais criticados no primeiro jogo da saga, mas em Killzone 2 foi-lhe dada uma especial atenção. A inteligência dos Helghast é agora bastante avançada. Protegem-se atrás de objectos, tentam aproximar-se quando podem, atacam em grupo e utilizam até técnicas de fogo de protecção e flanqueamento. Nenhum local é garantidamente seguro e, se não prestarmos a devida atenção, teremos um inimigo a descarregar a arma nas nossas costas sem que nada o fizesse prever.

Por falar em armas, apesar de não haver uma variedade por aí além, existem as suficientes para manter o jogo fresco. Algumas foram recuperadas dos anteriores jogos, outras foram introduzidas pela primeira vez. A minha preferida é sem dúvida a VC5 Electricity Gun - à qual só temos acesso na missão da refinaria Tharsis, infelizmente. É uma das armas mais fantásticas que já experimentei. Tão fantástica que chega a tornar o jogo fácil demais. Lança descargas eléctricas nos inimigos, tem um alcance estupendo e – espectáculo - tem munições infinitas. Não deixes de experimentar!
kz2-24
Killzone 2 tem uma narrativa muito fraca e esse é o ponto mais negativo que posso apontar ao jogo. Nenhuma personagem tem profundidade suficiente para criar em nós alguma empatia. Os textos e interpretações são na sua generalidade sofríveis, chegando a haver algumas fases no meio dos combates dignas de um inspirado Chuck Norris, dentro do género “come o meu chumbo, cara de couve podre”. Naturalmente, a Guerrilla Game teve outros objectivos e outras preocupações em mente quando desenvolveu o jogo, mas teremos de concordar que uma história bem escrita e bem contada teria trazido Killzone 2 para um patamar ainda mais alto.
kz2-23
A jogabilidade - factor sistematicamente criticado por muitos - nem é extraordinária nem é má, é, simplesmente diferente. Há quem goste e há quem deteste. Movimentar a câmara é muito mais lento do que noutros jogos, mas dá uma sensação de peso bastante real tanto da arma como da personagem. O que posso referir a respeito é que já me habituei ao jogo, e agora outros FPSs parecem-me rápidos demais. É de salientar o sistema de cobertura criado para este jogo. Finalmente temos um FPS que possui um sistema de cobertura simples, eficaz e funcional. É certo que requer alguma habituação para o utilizarmos eficientemente, mas depois de percebermos como funciona não quereremos outra coisa e daremos pela sua falta noutros jogos.

Normalmente, o online é um adicional ao offline com o objectivo de aumentar a longevidade do título. Com Killzone 2, acho exactamente o contrário. A campanha de história é um mero complemento, já que o seu online é muito, muito superior. Em termos técnicos, é um feito notável. Consegue ser uma campanha em rede com 32 jogadores e manter a mesma qualidade gráfica, o que não acontece com a maioria dos títulos.
kz2-4
Ao todo, o disco traz oito mapas distintos, mas não existe uma extraordinária variedade entre eles. Alguns são passados em espaços mais abertos, proporcionando combates mais distantes. Outros são bastante fechados, quase claustrofóbicos, onde os disparos à queima-roupa são uma constante e a defesa ou a conquista de uma passagem é essencial para decidir uma vitória. E há ainda mapas que são, sensivelmente, uma mistura dos dois tipos anteriores, dando ao jogador a possibilidade de escolher o tipo de luta a que melhor se adapta. Ainda assim, salvo uma ou outra excepção, o estilo dos mapas é muito parecido levando a que estes sejam difíceis de distinguir, sobretudo se não os conhecermos detalhadamente. Os mapas estão muito bem pensados, mostrando desenhos extremamente intrincados. Não se encontram muitos pontos de estrangulamento e poucos são os locais onde podemos montar a guarda sem que haja uma ou mais entradas pelas quais possamos ser flanqueados e surpreendidos por inimigos.
kz2-18
Relativamente ao formato online, Killzone 2 não inova especialmente em nada. Recorre a conceitos já bastante utilizados em jogos do mesmo género, mas consegue melhorá-los de alguma forma e dar-lhes um estilo próprio. Tem os já habituais modos Todos Contra Todos em equipa (Body Count), Zonas (Capture and Hold) e Capturar a Bandeira (Search and Retrieve). Tem também o modo de Search and Destroy com duas vertentes: uma de ataque - em que temos de ocupar determinado local e aguentar algum tempo, e uma de defesa - em que temos de evitar que o inimigo faça exactamente o mesmo. Por último, existe o modo Assassination em que de uma das equipas é escolhido um jogador aleatoriamente. Este deverá ser assassinado pela equipa adversária enquanto os companheiros de equipa o tentam defender.
kz2-5
A novidade em Killzone 2 é que todos esses modos podem ser jogados numa única ronda sem qualquer paragem. Quando termina um modo, começa imediatamente outro e isto confere ao jogo uma variedade bastante interessante e uma grande dinâmica. É comum ver, no final de um modo, os jogadores a correrem de imediato para o próximo objectivo e a prepararem-se para o assalto seguinte. Apesar dos jogos serem compridos, entre 25 a 30 minutos (alguns bastante mais) nunca chegam a ser monótonos.

Além da possibilidade de vários modos na mesma ronda, é ainda possível personalizá-los como bem entendermos. Killzone 2 está bem munido de opções, dando-nos a possibilidade de criar jogos escolhendo os modos que gostamos mais, os mapas que queremos e de definir parâmetros tais como o tempo de duração de cada modo, os critérios que o dão como terminado, entre outros. Podemos ainda escolher quais as armas e quais as classes de jogador permitidas.
kz2-31
Quanto à nossa progressão no jogo, foi implementada de forma simples mas eficaz e motivante. Existem doze patentes que vão sendo atingidas pelos pontos de experiência que vamos acumulando nos jogos que fazemos. Sempre que passamos para uma nova patente, algo - como armas ou classes - é desbloqueado. Para além da classe inicial, existem 6 classes distintas, cada uma com habilidades diferentes: Medic - que pode fazer reviver jogadores feridos mortalmente ou largar pacotes de energia; Engineer - que pode construir torres de defesa e reparar objectos; Tactician - que pode largar pontos de recolocação e instalar robots de defesa voadores; Assault - que pode correr mais depressa e tem mais resistência aos danos; Saboteur - que pode disfarçar-se de um jogador inimigo e colocar C4; e Scout - que pode ficar quase invisível e ver jogadores escondidos ou disfarçados. Estes papéis são fundamentais na estratégia de jogo, uma vez que uma classe correcta e oportunamente utilizada pode dar a vitória a uma equipa.
kz2-21
Para cada habilidade existem medalhas a ganhar. Se, por exemplo, um médico “ressuscitar” 5 jogadores numa ronda, ganha uma fita de mérito. À oitava fita ganha uma medalha e desbloqueia uma nova habilidade. No final, ganhando todas as medalhas de uma classe, desbloqueia-se a possibilidade de combinar uma habilidade com outras classes. É uma boa forma de podermos construir uma personagem à nossa medida e de fazermos as conjugações que julgarmos mais convenientes para determinado momento da batalha. As classes estão de certa forma equilibradas (todas elas têm as suas vantagens e as suas desvantagens), normalmente, por uma combinação cuidada de habilidades, tipo de armas, resistência e velocidade.

Existem ainda fitas por cada modo de jogo, como por exemplo a que é atribuída por conseguir 10% das mortes num combate Body Count. Há também fitas por desempenho, como a que é atribuída por atirar 10 vezes na cabeça numa ronda. Por cada conjunto de 8 fitas iguais, ganhamos a medalha correspondente e teremos alguma vantagem adicional que pode ser traduzida em mais pontos por morte, etc. Chegar a General - a patente máxima - é relativamente fácil com mais ou menos tempo de jogo, mas o mesmo não se pode dizer sobre ganhar todas as medalhas e desbloquear tudo o que existe. Aí, o esquema de evolução ganha alguma profundidade.
kz2-30
O jogo tem uma forte componente estratégica. Claro que encontramos sempre jogos em que é tudo ao molho e fé em deus - o que não deixa de ser divertido - no entanto é inegável que alguns jogos são claramente ganhos por decisões tácticas o que proporciona um sentimento de realização bastante elevado. É frequente ver equipas que ganham por terem utilizado mais a cabeça do que as armas.

No online, a jogabilidade é idêntica à da campanha, mas sem o sistema de cobertura. Apenas posso apontar que ficamos parados sem razão aparente ao subir algumas escadas – e não acontece tão pouco quanto isso. Também ficamos presos entre jogadores em passagens estreitas, mas isso parece-me que tenha sido uma decisão de desenvolvimento e, no contexto, faz algum sentido.
kz2-26
O sistema de comunicação por auricular está muito bem concretizado e é mais um ponto forte no jogo. À primeira impressão é algo estranho pois apenas podemos falar com jogadores que estejam próximos de nós, sejam eles da nossa equipa ou inimigos. Porém, existem as secções que podem ser criadas com o máximo de quatro jogadores cada. Estas secções não são mais do que subdivisões de equipa com um canal de comunicação próprio. Este é mais um componente estratégico presente no jogo pois além de permitir uma comunicação sistemática entre os jogadores da mesma secção, possibilita que alguém que morra possa ser recolocado ao lado do líder da sua secção. Isto faz com que o líder tenha quase sempre algum apoio e que os restantes, quando morrem, possam ser recolocados imediatamente no calor da batalha ao lado de pelo menos um companheiro - o líder da secção.

O acesso ao online é sempre um assunto que merece especial atenção. Um título cujo jogo propriamente dito seja excelente, pode ser completamente arruinado por um método de acesso desastroso, o que não é o caso do Killzone 2. É muito simples entrar online e procurar um jogo a decorrer ou juntar a um amigo PSN. Infelizmente não é possível saber informações acerca do jogo em que queremos entrar, como por exemplo saber se tem fogo amigo, se não permite alguma classe ou alguma arma. Só após termos entrado, podemos confirmar as opções e, se não gostarmos, temos de sair para procurar outro. Poderia também ter sido desenvolvido um sistema integrado de convites, mas apesar de bem-vindo e útil, não é de todo essencial.
kz2-19
O sistema online é bastante sólido e, tendo em conta a gigantesca quantidade de situações que acontecem ao mesmo tempo, posso considerar que funciona extraordinariamente bem. O lag é inexistente – correcção, está muito bem disfarçado, pois lag existe sempre por mais pequeno que seja, não é? Em quase 30 horas de jogo só fui desconectado um par de vezes e creio que tenha sido, não por problemas nos servidores, mas por problemas na minha ligação à rede.

Outro factor que gostaria de salientar é o site www.killzone.com. Ok, ok, está muitas vezes inacessível e, apesar de já ter estado pior, é lento como um caracol. Mas, apesar disso, permite fazer um seguimento muito completo da nossa progressão. Temos acesso a um leque enorme de estatísticas actualizadas com muita regularidade. Permite ainda ver uma reprodução gráfica das nossas batalhas mais recentes. Esta pode ser uma ferramenta muito importante para definir estratégias e corrigir erros. O site tem alguns problemas, mas é muito, muito completo e é um complemento muito importante ao jogo.
kz2-14
Em jeito de conclusão, não posso dizer que Killzone 2 seja algo único e inovador. Vai buscar muito a outros títulos mas deixa o seu cunho próprio em quase todos os aspectos. Estabelece um novo padrão técnico com gráficos extraordinários, uma intensidade muito característica e um online fantástico. Tem uma campanha curta com uma história insípida, mas as batalhas são intensas, empolgantes e divertidas. É uma obra robusta e funciona quase sempre na perfeição. É sem dúvida o jogo do momento e, se és fã do género, não deixes de matar e morrer no campo de batalha que é Killzone 2.

Jogabilidade: 8
Desempenho Técnico: 10
Entretenimento: 8
Longevidade: 9

Apreciação global: 9



Acessos: 1355

Comentários (0)

Escreva o seu comentário

Precisa iniciar sessão para inserir um comentario. Por favor registe-se caso não tenha uma conta

busy