30

Mar

2009

Guitar Hero World Tour - Análise Versão para impressão Enviar por E-mail
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Guitar Hero World Tour segue a evolução do seu mais directo concorrente e introduz o conceito de banda de rock com a adição de voz e bateria aos instrumentos já existentes. Uma manobra ambiciosa por parte de Neversoft, que pretende dar um passo de gigante no mundo dos jogos musicais.

No que diz respeito à guitarra e ao baixo, a jogabilidade mantém-se praticamente idêntica à dos anteriores títulos. No ecrã, é mostrado o que parece ser um braço de uma guitarra onde correm verticalmente círculos de cores correspondentes às teclas coloridas, que devemos pressionar no braço do controlador que simula a guitarra. Quando esses círculos passam pelo marcador no fundo do ecrã, deveremos pressionar a "palheta", mais conhecida pela strum bar. É a conjunção das cores com a cadência rítmica da strum bar que nos dá a sensação de estarmos a tocar uma guitarra verdadeira.

Por cada nota que acertamos, ganhamos alguma pontuação. À medida que vamos acertando sequências de notas, vamos aumentando o multiplicador de pontos até ao máximo de quatro. Cada vez que falhamos, o braço no ecrã salta, ouve-se um barulho - o chamado prego - e tudo recomeça com o multiplicador a voltar a um. Além disto, existe ainda o rockmeter - o medidor do nosso desempenho - que sobe quando acertamos notas, e desce quando falhamos. Se falharmos muitas notas e esgotarmos o rockmeter perdermos a música, mas, se conseguirmos terminar, veremos no final a mensagem que diz tudo - "You Rock".
ghwt2Continuam a existir as notas longas simbolizadas por uma bola seguida de um traço. Nestas notas podemos utilizar a barra de whammy para aumentarmos a pontuação e darmos um estilo próprio - dentro do possível - à nossa interpretação. Existem também as notas de star power que são identificadas por cores em forma de estrela. Se conseguirmos efectuar a sequência na sua totalidade ganhamos um pouco de star power que, a partir de determinada quantidade, poderemos utilizar levantando o braço da guitarra ou carregando no botão correspondente. Enquanto este poder estiver activo, o multiplicador de pontos passa ao dobro.

Voltam a aparecer também as notas de hammer-on e pull-off que se distinguem por serem mais brilhantes do que as outras e por poderem ser tocadas apenas por pressão das teclas de cor no momento oportuno, sem se utilizar a strum bar. Estas notas são as mais difíceis de aperfeiçoar mas são, sem dúvida nenhuma, aquelas que mais aproximam a experiência virtual da que se pode viver na realidade, principalmente nos solos mais complexos.

Quando jogamos como baixista, além das notas já descritas, existe uma barra horizontal que significa termos de pressionar a strum bar sem qualquer cor pressionada. A utilização deste tipo de nota simula bastante bem a forma como se toca num baixo real e representa o tocar uma corda solta, como por exemplo o Mi da primeira corda.
ghwt8A guitarra do World Tour é bastante maior e mais ergonómica que a do Guitar Hero III - o anterior título. A strum bar é também ligeiramente diferente, pois apresenta um aspecto menos plástico. Contudo, após algumas horas de utilização - e nem tantas quanto isso - a guitarra testada começou a acusar algum desgaste. Apesar de se conseguir jogar perfeitamente, a strum bar para baixo passou a precisar de alguma força para conseguir registar as notas, não bastando apenas encostar como era de início.

A maior evolução no controlador de guitarra é a existência de um novo painel táctil no braço entre as teclas de cor e a strum bar, que pode ser utilizado para tocar as novas notas que aparecem no jogo. Estas são transparentes e unidas por uma linha de cor violeta. Basta portanto fazer deslizar os dedos nesse painel na posição correcta, sem utilizar a strum bar, para tocar essas notas especiais. Também é possível tocar as notas normais batendo ligeiramente no painel em vez de pressionar a strum bar. Apesar de ser uma engenhoca interessante, não julgo ser uma grande adição. As notas transparentes tornam-se mais fáceis de tocar nos botões de cores que no painel táctil e, além disso, a sensibilidade do painel faz com que muitas vezes sejam registadas notas sem que queiramos - resultando numa falha.
ghwt10A grande novidade em World Tour é a introdução da bateria e, provavelmente, o que a grande maioria dos jogadores anseia experimentar. Efectivamente este será o controlador cuja utilização mais se aproxima da realidade. Existem 3 tambores de cor no nível mais baixo correspondentes ao prato de choques, tarola e timbalão, respectivamente, e, mais subidos, dois semicírculos que representam os dois pratos. Existe ainda um pedal para simular o bombo. É um dispositivo de fácil montagem e que aparenta alguma robustez. Os tambores são fabricados a partir de um material em borracha que absorve o impacto e abafa o som.

Mas nem tudo é perfeito na bateria. O dispositivo testado veio de fábrica a necessitar de alguma calibragem. Um dos pratos estava sensível demais e registava muitas vezes só pela vibração, enquanto um dos tambores precisava de ser batido com alguma força. A julgar pelas várias informações que circulam na internet, este é um problema bastante comum e foi resolvido por intermédio de um cabo solicitado no site da Red Octane, que foi enviado de forma bastante célere. Ligando bateria ao PC com esse cabo, e por intermédio de software, conseguiu-se facilmente corrigir o problema.

Não foi esse o único problema que aconteceu com a bateria. Depois de algumas horas, o tambor vermelho deixou de funcionar com a baqueta, e apenas registava quando se batia com a mão. Após ter sido aberto, verificou-se que a soldadura do fio desse tambor tinha cedido. Facilmente foi resolvida a situação com recurso a um ferro de soldar, mas fica-nos a impressão de que o dispositivo talvez não seja tão robusto como aparenta. Claro que pode ter sido uma questão pontual - e foi com certeza, pois não há muitas queixas na net sobre isso - mas não deixou de levantar algumas interrogações sobre a longevidade do equipamento.

Quanto à representação gráfica da bateria e à sua jogabilidade são muito parecidas com a da guitarra. As cores vão correndo o ecrã e teremos de bater na cor correspondente no ritmo certo. As notas da barra horizontal são tocadas no pedal e, para se activar o star power, tem que se bater nos dois pratos ao mesmo tempo. Existem ainda nas músicas algumas secções de improvisação, o que quer dizer que podemos inventar solos livres de bateria para aumentarmos a pontuação.
ghwt9A outra adição ao jogo é o microfone, com uma jogabilidade parecida com a dos já famosos Sing Star. No topo do ecrã passa a letra da música e um gráfico que identifica as variações de voz necessárias. Contudo, esse gráfico tem uma amplitude muito menos pronunciada que, por exemplo, no Sing Star, e torna-se bastante difícil perceber o quanto temos de subir ou descer no tom para acertar. Outra funcionalidade com algum interesse é a activação do star power com o bater de palmas perto do microfone.

Tal como nos outros Guitar Heros, World Tour tem um modo principal de carreira em que, desta vez, podemos fazê-lo como guitarrista, baixista, baterista, vocalista ou com a banda completa. Em cada uma das formas existem conjuntos de músicas que após conclusão nos permitem fazer um encore de uma música até então desconhecida. Ao completarmos um conjunto, são desbloqueados outros conjuntos de músicas. Existem ainda outros especiais que temos de comprar com o dinheiro ganho na carreira. Esse dinheiro também serve para comprar vários artefactos como guitarras, pick-ups, amplificadores ou roupas para podermos personalizar a personagem escolhida.
ghwt5Existe também o modo quick play onde poderemos escolher uma de entre todas as músicas já desbloqueadas até à altura. É conveniente utilizar este modo apenas depois de concluído o modo carreira para termos acesso a todas as músicas.

O outro facto em destaque no jogo é o online. Existem vários modos com algumas variantes como competitivo ou cooperativo em guitarra, baixo, bateria ou banda.

O acesso tem um funcionamento bastante arcaico e muito, muito pouco prático. A forma de convidar alguém da nossa lista de amigos é, no mínimo, ridícula. Abre a lista com todos os amigos, e quando digo todos, é mesmo TODOS - os que jogam, os que não jogam, os que estão online ou offline - e temos de percorrê-la alfabeticamente até encontrarmos quem queremos. Se tivermos um amigo no fundo de uma lista de cem contactos, teremos muitos nomes a percorrer. Pelo menos, tinham ordenado a lista de forma a mostrar primeiro os que estavam online, não é? Em certas ocasiões chegou a ser impossível juntar determinados amigos com uma mensagem de que o jogo já não existia - e não foi por falta de tentativas, nem de formas diferentes de tentar - simplesmente e incompreensivelmente não funcionou.

A pesquisa de um jogo online também é muito rudimentar levando algumas vezes vários minutos - para não dizer dezenas - até encontrar um. Em vez de termos acesso à lista de jogos em espera nos vários modos, só podemos pesquisar um modo de jogo de cada vez. Contudo, depois de finalmente conseguirmos entrar num jogo online, facilmente esquecemos todos estes problemas pois é extremamente divertido e funciona muito bem. Não se nota qualquer lag e nunca, em várias horas de jogo, caiu a ligação a qualquer dos jogadores.
ghwt4Podemos encontrar também em World Tour uma nova funcionalidade - o estúdio de composição. Este novo Guitar Hero apresenta uma série de ferramentas para podermos compor e disponibilizar no chamado GHTunes as nossas músicas para outros poderem jogar. A intenção é boa, mas nem tudo foi bem conseguido. As ferramentas são de alguma forma complicadas de utilizar - não se esperava outra coisa tendo em conta uma interface de entrada limitada como é a guitarra ou a bateria. A qualidade sonora das composições finais deixa também muito a desejar. Mas o conceito é bom e, bastante desenvolvido, pode ser uma funcionalidade com grande importância daqui para a frente.

Graficamente, este é daqueles jogos em que não se pode exigir muito além de ser competente, que o é. Contudo, existem alguns pormenores gráficos horríveis mas que não estragam minimamente o objectivo principal - simular que tocamos um instrumento musical. As personagens no palco não estão más e a sincronização dos lábios do vocalista ou os movimentos dos restantes músicos está feita de forma simples, mas eficiente.

ghwt6Quanto ao som, este é o melhor Guitar Hero de sempre. Ao contrário dos anteriores títulos, todas as músicas são originais e algumas faixas foram remasterizadas especialmente para o jogo. A qualidade sonora está muito acima das anteriores versões com um pormenor delicioso - o público canta as músicas quando o jogador tem um grande desempenho. É algo simples, mas que aumenta substancialmente a imersão e o divertimento.

A lista de músicas é enorme e com variedade para todos os gostos. Não faltam as malhas de puro rock como Metallica, System of a Down, Motörhead, Ozzy Osbourne e Tool, mas também existem faixas para gostos mais comerciais como Bon Jovi, Michael Jackson e Tokio Hotel ou para gostos alternativos como Interpol, Modest Mouse, Muse ou Smashing Pumpkins. Existe ainda a possibilidade de termos contacto com algumas músicas menos conhecidas e, dentro dessas, recomendo os italianos Negramaro que deram ao jogo uma extraordinária música - Nuvole e Lenzuola. Ao todo são 85 temas onde quase todos eles dão uma grande pica tocar... ahhhh, perdão... jogar.

Temos ainda oportunidade de partilhar o palco virtual e defrontar algumas estrelas do rock. Sting ou o Billy Corgan são algumas das figuras famosas que estão presentes no jogo.ghwt7

Se o enorme número de músicas presentes no disco não chegar, ainda podemos descarregar mais temas da PSN ou da loja integrada no jogo. A maioria são pacotes de músicas pagos, mas existem alguns temas de download gratuito. Só é pena que os portugueses não estejam sensibilizados para o potencial comercial de incluir músicas num jogo destes e ainda não é desta que teremos o prazer de jogar ao som do rock luso. Quem não gostaria de jogar umas malhas de, por exemplo, Xutos e Pontapés?

Como qualquer outro jogo musical, este não é um jogo fácil. Ajuda muito ter bons conceitos rítmicos e já ter tocado guitarra, baixo ou bateria, mas não é estritamente necessário. Para facilitar a evolução existem 4 graus de dificuldade. A primeira é para iniciados e é mesmo muito elementar, apenas para introdução ao ritmo – se por acaso não conseguires passar nesta dificuldade, recomendo-te uma boa cana de pesca e alguma literatura relacionada. Os seguintes graus de dificuldade vão introduzindo mais cores e mais complexidade nas sequências de notas e intensidade dos ritmos. Apesar de difícil, é daqueles jogos em que, com a devida insistência, a evolução do jogador é notória e entusiasmante. Posso dizer que comecei por jogar Guitar Hero na dificuldade fácil, e hoje em dia já faço quase todas (de notar o quase) as músicas em modo difícil e algumas (de notar o algumas) em modo expert.

Guitar Hero World Tour é um fenómeno do entretenimento. Consegue desenvolver um conceito simples e aplicá-lo de forma extremamente divertida e viciante, tomando novas proporções com a introdução de voz e bateria. Nem tudo é perfeito - aliás, ainda há um longo caminho a percorrer - mas não deixa de ser um dos melhores títulos do mercado para ser jogado em grupo. Se gostas de música ou sempre sonhaste pertencer a uma banda de sucesso, não hesites, salta já para o palco e mostra que és um verdadeiro herói do rock.

Jogabilidade: 8
Desempenho técnico: 7
Entretenimento: 9
Longevidade: 8


Apreciação global: 8

 

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